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Perdas e custos

O medicamento que vale mais também é o que corre mais risco, duas vezes

Roubo de carga e ruptura de temperatura geram o mesmo prejuízo em medicamentos de alto valor. Por que monitorar os dois riscos juntos, como pede a RDC 430.

Equipe Sensoriz ·

Equipe carregando caixas de medicamentos em um caminhão na saída da câmara fria

A indústria farmacêutica brasileira vive um paradoxo silencioso. Ao mesmo tempo em que investe pesado em terapias biológicas, oncológicos e produtos de alta complexidade, ela também tornou esses mesmos produtos o alvo preferido do crime organizado. O resultado é que o medicamento mais caro do seu portfólio está exposto a dois riscos que, na prática contábil, geram exatamente o mesmo prejuízo: roubo de carga e perda por ruptura de temperatura.

A conta que ninguém quer fechar

Um lote de biológico ou oncológico perdido é prejuízo total, seja qual for a causa. Não importa se a carga foi roubada numa rodovia do Rio de Janeiro ou se passou 40 minutos fora da faixa de temperatura ideal durante uma troca de veículo. O produto vira descarte, o cliente fica sem entrega e a operação assume o custo integral.

Mesmo assim, a maioria das empresas trata esses dois riscos como departamentos separados. Segurança patrimonial cuida do roubo. Qualidade cuida da temperatura. Cada um com seu sistema, seu relatório e sua equipe. O problema é que o resultado financeiro não separa as causas: no balanço, os dois aparecem como a mesma linha de prejuízo.

O crime já sabe onde o valor está

Os números do primeiro semestre de 2026 confirmam uma mudança de comportamento das quadrilhas especializadas em roubo de carga no Brasil. Segundo o Report nstech de Roubo de Cargas, a participação de medicamentos nos prejuízos totais saltou de 2,8% para 19% em relação ao mesmo período de 2025, um avanço de 16,2 pontos percentuais em apenas um ano. Com isso, o segmento farmacêutico subiu da sexta para a terceira posição no ranking nacional de cargas mais visadas.

A geografia do risco também mudou. O Rio de Janeiro ultrapassou São Paulo e assumiu a liderança isolada, concentrando 36,6% de todo o prejuízo nacional com roubo de cargas no período, contra 16,1% um ano antes. Não é acaso: as quadrilhas migraram de um modelo baseado em volume para um modelo baseado em valor e liquidez de revenda, e poucos produtos oferecem essa combinação como os medicamentos de alta complexidade.

E o produto ficou mais frágil ao mesmo tempo

Enquanto o crime se sofistica, o próprio produto exige mais cuidado. A expansão de terapias biológicas, vacinas, terapias celulares e oncológicos vem aumentando a exigência de monitoramento contínuo ao longo de toda a rota de transporte. Qualquer excursão de temperatura precisa ser identificada, registrada e avaliada conforme a especificação de cada produto, a duração do desvio e os procedimentos de qualidade aplicáveis.

Essa exigência pesa ainda mais num país do tamanho do Brasil. Com mais de 8,5 milhões de quilômetros quadrados e grandes variações climáticas entre regiões, um medicamento pode percorrer milhares de quilômetros entre a indústria, os centros de distribuição e o ponto de atendimento final. Cada trecho dessa rota é uma nova oportunidade de falha, seja por temperatura, seja por segurança.

O que a RDC 430/653 já exige, e por que isso não é burocracia

A regulação brasileira já reconhece essa complexidade. O artigo 64 da RDC 430/2020, alterado pela RDC 653/2022, trata do monitoramento das condições de transporte relacionadas a temperatura, acondicionamento e armazenagem como exigência formal, não como boa prática opcional. A norma não separa risco de segurança de risco de qualidade. Ela trata o transporte como um processo único que precisa ser controlado de ponta a ponta.

O problema é que muitas operações cumprem a norma de forma fragmentada. Um sistema cuida da temperatura. Outro, quando existe, cuida da localização da carga. Nenhum dos dois, isoladamente, dá à empresa uma resposta completa sobre o que está acontecendo com o produto a cada momento da rota. O resultado é que a empresa fica com informação parcial justamente onde a regulação pede informação completa.

Visibilidade única em vez de dois problemas separados

Tratar roubo de carga e ruptura de temperatura como riscos independentes significa manter duas equipes, dois sistemas e duas versões diferentes da mesma operação. Unificar o monitoramento de localização e condição do produto numa única camada de dados elimina essa divisão artificial e entrega o que a RDC 430/653 já exige: rastreabilidade real da carga do início ao fim.

É exatamente esse o papel da Sensoriz CORE: reunir localização e condição do produto num único painel de acompanhamento, com alertas em tempo real quando a carga sai da rota prevista ou quando a temperatura foge da faixa definida para aquele medicamento específico. Em vez de duas ferramentas contando duas histórias diferentes sobre a mesma carga, a operação passa a ter uma resposta única para a pergunta que realmente importa: o produto está seguro agora?

Para quem lida com produtos de alta complexidade, essa não é uma escolha entre segurança patrimonial e conformidade regulatória. É a mesma decisão, vista de dois ângulos diferentes. Quem enxerga os dois riscos com o mesmo nível de detalhe reduz perdas nas duas frentes ao mesmo tempo, em vez de proteger metade da operação e torcer pela outra metade.

Fonte: Report nstech de Roubo de Cargas, primeiro semestre de 2026.

Publicado originalmente no LinkedIn da Sensoriz.

Resumo em perguntas

Por que roubo de carga e ruptura de temperatura devem ser monitorados juntos?

Porque, para um medicamento de alto valor, os dois geram o mesmo prejuízo total. Monitorar localização e condição do produto numa só camada de dados dá a rastreabilidade de ponta a ponta que a RDC 430 exige.

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